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Skoob

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O Skoob, Books ao contrário, (nome não muito espertinho) é uma rede social de livros. O usuário constrói um perfil, adiciona os livros que já leu , marca os que mais gostou, os livros que tem, quais deseja ler e ainda pode postar resenhas dos livros e fazer marcações e comentários enquanto está lendo uma obra. Uma das marcações possíveis é de “livros emprestados”. Bem útil pra quem sempre esquece o paradeiro de seus livrinhos.

É uma forma bem interessante de “catalogar” virtualmente todos os livros que você já leu (quem é viciado nesse tipo de coisa sabe como é bom!). E como toda rede social, existe aquela velha história de conhecer o que outras pessoas já leram, trocar recados e manter contato com os usuários que têm os mesmos interesses que você.

É uma iniciativa boa, não nova, mas creio que seja a única em português. Todo usuário pode adicionar livros, cadastrando por edição e número de páginas. O que rende no final das contas o seu paginômetro,  o número exato do número de páginas que você já leu em sua vida. O meu anda, atualmente, em 28.348.
A parte chata da história, e acho que só quem gosta mesmo dessa história de catalogar coisas e fazer listas, é caçar, na memória e no Skoob os livros que você já leu. A parte legal é encontrar e lembrar-se dos livros paradidáticos da infância, e que você nem lembrava mais que existia.
Amantes de livros, eis sua rede social: Skoob.

Por: Paula Janay

Livro de João Ubaldo é censurado em Portugal – novamente

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Dez anos atrás, o grupo Auchan, responsável pelos hipermercados Jumbo e Pão de Açúcar, em Portugal, proibiu a venda em suas lojas de A Casa dos Budas Ditosos, do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro.

Se não bastasse, passados os tais 10 anos, após a reedição do livro pelas Edições Nelson de MatosA Casa dos Budas Ditosos voltou, novamente, a ser censurado pelo grupo Auchan. Segundo a assessoria da empresa, a obra do Prêmio Camões 2008 é considerada um “produto de foro pornográfico”. Enquanto isso, um outro romance do escritor, de título Viva o Povo Brasileiro, está “retido para apreciação”. Se, com o outro, a desculpa para censura era a de pornografia, qual seria a de Viva o Povo Brasileiro? Canibalismo? Excesso de qualidade?

É intrigante inclusive observar um comentário de um leitor do Blogtailors, ao falar sobre a censura: “Curioso, ainda hoje, numa loja deste grupo eu vi à venda o “Kamasutra para Homens – Como enlouquece-lo”, edição com ilustrações.” Estranho, não?
- A notícia foi publicada na edição impressa do semanário Expresso

- Algumas reações na blogosfera:
“Gesto tacanho, de imbecilidade necessariamente viril. Tive os melhores orgasmos da minha vida a ler o dito livro”, por Ana de Amsterdam.
“Quando questionado acerca da proibição, o dito responsável considerou uma ‘falta de chá’ a pergunta, não tivesse ele de explicar a inanidade da censura ao Prémio Camões 2008″, por Leonor Barros.

Por Leonardo Pastor

6 haikais coloridos

Amarelo ou “Quando aperto os olhos, consigo ver o pênis do sol”

Os corpos dos amantes,

sob o sol de uma janela descoberta,

sorvendo as cinzas com o suor.

Branco ou A leveza da fome

O corpo minguará até a cruz esquelética.

Deus tem um abraço preparado

Para quem na dor se elevou à pureza.

Laranja ou A Clareira do Tempo

Pneu furado. Congelo
o deserto com cerveja
e música. Sem rumo.

Marrom ou O coração não-coagulado

Me bata, me amordace e me enrabe!

Mas, por favor,

Nunca faça mal ao nosso coração.

Azul ou O tango que pode ferir os dedos

Enxergo os humanos ao meu redor -
fervilham e se tocam num tango ímpar.
Esfrego os olhos e aperto o cadarço.

Incolor ou A Despedida Epifânica

As pernas bambeavam na lenta descida.

O peito apertado de estranhas saudades:

Os dois viam o fim da ladeira, chegando…

Poparteliteráriafeministafantástica

Lempicka

Quadro de Tamara de Lempicka

Encontrei-me com Pubis Angelical em janeiro de 2008, 29 anos depois de sua primeira publicação, na Argentina. A união entre leitor e obra se deu numa livraria de livros esotéricos e espíritas de Feira de Santana, mediante R$3,90. A capa e a edição eram simples – o livro faz parte da coleção consagrados livros lançados em meados dos anos 80 pela Rocco – mas algo no quadro de Tamara de Lempicka me atraiu. Olhei a contracapa onde a sinopse me atentou para a temática interessante: “O tema básico deste romance revela uma atualidade a que dificilmente ninguém estará em condições de escapar: até que ponto um indivíduo é senhor de seu comportamento e não títere de sua formação familiar e cultural?”. Fui convencido aí, e por isso levei o livro de Manuel Puig para casa.

A sinopse prometia ainda uma história recheada de elementos femininos – todas as personagens principais são mulheres que são cuidadas para serem objetos sexuais – mas eu não podia imaginar até onde se chegariam esses tais elementos. Surpreendeu-me quando comecei a ler o livro e percebi que se trata de um realismo fantástico feminista, misturado com ficção científica, emendado a tramas políticas que envolvem a política argentina de fins dos anos 70, marcado por uma estética gay.

A trama se desenvolve em três diferentes locais, situados em diferentes tempos – e, ao que parece, em diferentes realidades. Acompanhamos Anita, mulher argentina está internada em um hospital mexicano se lutando contra um câncer e que se lamenta por esperar que um homem ideal venha lhe fazer dos homens que a feriram e lhe dar toda a felicidae que deseja encontrar; conhecemos a Senhora, uma ex-atriz de sucesso que mora com um homem que a aprisiona numa ilha, para dominá-la, mas não consegue contê-la quando ela descobre que possui um estranho dom que a joga em um conflito internacional; e por fim, a trágica W218 se apresenta como uma ciborgue que mora numa Terra pós derretimento das calotas polares, trabalhando para o governo como agente sexual, transando com velhos e doentes em uma sociedade machista.

Dentro dessa salada de cenários e personagens, uma salada de estilos de se escrever: o autor se utiliza de recursos como cartas, diários, diálogos extensos, descrições densas e às vezes dinâmicas, narrativa paralela, dentre outras experimentações e referências populares que levam Manuel Puig a ser adjetivado por alguns críticos como escritor de literatura pop art – movimento que não existe na literatura. Apesar da criatividade, a história de Anita é um tanto óbvia, ela tem reflexões sobre sua sexualidade que são muito esclarecidas e ainda assim o autor insiste que ela espera um “homem superior” e briga com sua amiga feminista, que lhe apresenta idéias com as quais concorda. Mesmo sendo a mais forçada das histórias, ainda assim possui uma lógica em sua construção.

No entanto, melhores momentos estão nas tristes histórias da Senhora e W218. Elas duas aparecem de forma equivalente, inclusive: sabem se defender melhor que Anita, mas também sofrem mais ataques por conta de possuirem o inexplicável dom de ler mentes, o que deixa governos às suas procuras, para dissecá-las, estudá-las e passar seus poderes para os homens – e apenas aos homens!

Em 1985 o livro foi adaptado ao cinema, por Raúl de la Torre. Também é homenageado na música homônima de Charly Garcia, grande músico argentino.

É importante que seja lido por qualquer pessoa que queira pensar sobre seu estar no mundo e as obrigações sociais que muitas vezes sufocam. E também pelos que admiram uma mistura de percepções guiadas por apenas um homem, que é o mesmo mestre que escreveu o famoso :”O beijo da Mulher-Aranha”.

Infinita Tristeza

Marcos (ou Maria, ou Marília Soraya), chega a sua casa (ou apartamento, ou mansão) – alugada (ou comprado, ou alheia). O espelho espera-o impiedosamente, as maldições, as incoerências ou os raros elogios. Nos últimos meses, dias ou anos, nada foi muito memorável – adeus às boas memórias que a vida costumava oferecer.
Então, num súbito raiar do dia, as lembranças já não proviam bons frutos. Como premeditavam os tempos, chega um momento em que o chão ou o céu se abre e a queda ou tempestade se torna uma constante climática.
Maturidade adulta?
Marcos (ou Maria, ou Marília Soraya) insultava seu corpo no vidro. Refletia aquilo que odiava – tortura. Mudar o preconceito em Amor ou qualquer essência palatável parecia outra tortura – que não dava prazer. Ele (ou ela, ou ela/ele) odiava o machismo (ou feminismo, ou os dois ao mesmo tempo).
A chuva caía pelo teto impenetrável – sem escapatória para o incômodo.
A água molha o espelho – ele se transforma num rio. O rio seca – agora, uma poça. Ou um poço? A água é barrenta e espirala por um buraco invisível – o buraco do fundo do poço.
A água do poço, tão funda, nunca esperaria ninguém. Porém, Marcos (ou Maria, ou Marília Soraya) descobre algo profundo sobre si mesmo: está viciado em seu próprio reflexo na água barrenta.
Depois dessa visão, nada mais é límpido em sua vida.
“Quando uma intolerância autodirigida é alimentada, uma outra, mais geral, é disseminada nos autos da vida”, eco do fundo do poço.

por Marcelo Oliveira
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