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Quatro Semanas de Amor

Luan e Vanessa

Luan e Vanessa

Estou voltando às raízes do meu gosto que havia sido recalcado já há algum tempo. O movimento de retorno começou quando eu resolvi assumir os quadrinhos – era um tabu para mim mesmo admitir a atribuição sentimental que eu dava a essa arte. Depois veio o samba popular, o axé, as narrativas românticas melosas e o videogame. Recentemente, foi a vez de apreciar novamente as telenovelas. E foi assistindo a cenas de Senhora do Destino que me lembrei do hit “Quatro semanas de amor” de Luan e Vanessa. Sabe-se lá que conexão que ocorreu entre uma coisa e outra, mas uma epifania dessas não se joga fora.

“Quatro semanas de amor” foi gravado por Luan e Vanessa no melhor estilo romântico menudo. Foi regravada posteriormente por Lairton, As Marcianas e Pedro e Thiago, entre outros, devido ao tamanho sucesso da música. Foi inspirado pela música que escrevi um conto do mesmo quilate que ela e que deixei sem nomear. Vejam o vídeo, leiam o conto e sintam, que não há coração que resista a esse sentimento.

Amor,

Nesses quatro anos de relacionamento que fazemos hoje, estou muito triste de não estar perto do seu coração. Pense em mim, ainda assim, porque meu dia hoje é todo seu. O trabalho está apertado, as pessoas não querem mais comprar as roupas que costuro, mas isso é outra coisa. Essa carta é para falar de nós… para falar do… Amor! Essa coisa bonita que nos une.

Quatro anos juntos, culpa daquelas sublimes quatro semanas de amor. Quem diria que você me tiraria do marasmo naquele verão passado na praia de Cabuçu? Tinha te observado dias antes de comermos aquele churrasquinho de gato na praça da cidade… Foi quando provei do teu pagode e me dei conta de que tinha te encontrado, amor.

Primeira vez que te vi, o céu estava estrelado, era noite, e seus cabelos eram como caudas de cometa nos quais peguei uma carona. Aterrisei, como alienígena, no planeta da Paixão. Não podia deixar de explorar o relevo das novas emoções, e você foi o trator que aplainou as crateras do solo, fez a estrada que me levou ao seu coração.

Nunca comi um churrasquinho de gato tão bom quanto aquele.

Na verdade, durante as quatro semanas, tudo foi mais saboroso. Não que ainda não seja, meu amor!, mas foi ali que surgiu o encanto… E as semanas foram passando, como a areia que sedimenta e forma a praia. Nosso amor foi crescendo, crescendo, se tornando, como dizia o personagem de nossa novela favorita, “felomenal”.

Na quarta semana, não pude me conter. Como jaca que tem de cair ao chão para completar sua existência, caí na real de que um amor desses não acontece duas vezes. Você transformava minha vida em azul bebê e eu sonhava em ter uma família contigo. Quanto te vi, então, veio num rompante: “Quero você, meu amor, porque você é a parte de mim que me falta. Minha costela andarilha que desejo reintegrar a mim. Quando nos olhamos… Percebe? Sim, está tudo no olhar, eu não sei parar de te olhar. Case comigo!”

E os beijos tiraram todo o nosso ar. Como ainda tiram, minha amada. Estarei retornando amanhã a noite, para que nos esbanjemos na pureza do nosso Amor. Só eu e você…

Beijos de saudades do seu mel de abelha.

P.S.: PARABÉÉÉNS PARA NÓS, IUPI!!!
P.P.S: Não esquece aquela calcinha preta com lantejoulas brilhantes amanhã.

o formidável de todo dia

Numa tentativa de explicar porque a dobradinha domingo/segunda é tão chata lá vai uma pequena história

Ex-casal

..domingo e segunda eram um casal…..um dia domingo traiu segunda com sábado….
segunda então jogou uma maldição….’malestar’….malgostar,…algo do tipo,em domingo…houve retribuição…domingo mesmo errado…não deixou barato..!!

Porém, coisas extraordinárias podem acontecer, como um olhar mais demorado, um céu com incontáveis tons de azul ou um prazer imenso num pedaço de torta. E aí, nesses mesmos dias algo assim pode vir num aconchego:

Aquele vento que eu não sentia agora vem toda hora

Senta, puxa uma cadeira e mexe nos meus cabelos

Me fazendo dar uma risada que dá até pra guardar no bolso

me aponta estrela, me faz correr pra ver

Me mostra as cachoeiras escondidas

Manda sonhos de um futuro tranqüilo

Só que pra sentir tais coisas é preciso estar minimamente feliz, com a peteca ainda no ar, ainda que os braços já estejam cambaleantes. E é por tudo às vezes parecer uma brincadeira de criança, com todos aprendendo no momento mesmo do jogo, reinventando as regras juntos, e onde é menos importante conseguir chegar sozinho ao pódio do que não deixar a peteca cair, que o extraordinário vira parte da rotina.

Por Jéssica P.

As amplas janelas quadradas que rodeavam o pequeno salão retangular eram como imensas bocas, prontas a engolir todas as 36 pessoas que, sentadas em almofadas rosas, azuis e cinzas, de pernas cruzadas e coluna ereta, distribuiam-se num círculo quase perfeito. Incrustadas nas paredes rosa – aguado, essas bocas sopravam uma brisa fresca e preguiçosa de final de tarde. Um bafo domingueiro suave que se misturava sensualmente a música lenta que envolvia todo o salão numa atmosfera de transe místico e espalhava o cheiro doce do incenso. De fato, o vento estouvado, que horas antes havia desgrenhado os meus cabelos enquanto eu andava pelas ruas estreitas dos confins de Brotas, agora, de algum modo, parecia vivo e domado. Ele dançava e rodopiava harmonicamente, percorrendo todos os cantos da sala. Acariciava os degraus das escadas, as paredes, o chão de madeira, um vaso de planta escondido no canto do salão, como se quisesse despertá-los para um novo universo que, aos poucos, ia se anunciando. A energia transcendental, que essa brisa viva despretensiosamente espalhava, emanava de um cântico arrastado e cativante, entoado pelos presentes, que transpirava uma sacralidade hipnótica. Essa musicalidade etérea, de alguma forma, era a responsável por reger toda aquela transformação.

Minhas pernas formigavam e minha coluna doía, mas aos poucos comecei a ser tragado por aquele mundo. Era um clima que remetia a uma tranqüilidade exótica. A sonoridade do coro entorpecido cantado em sânscrito, o rufar surdo e cadenciado da britanga e a melodia suave do harmônio iam capturando a minha mente, me levando a um estado de relaxamento e contemplação que me fazia esquecer os desconfortos que me aprisionavam. Eu, que tenho certa aversão ao misticismo e a sentar como um indiozinho empertigado, de início me senti incomodado pelo desconforto da posição. Minhas pernas formigavam e minha coluna doía, mas aos poucos comecei a ser tragado por aquele mundo. Era um clima que remetia a uma tranqüilidade exótica. A sonoridade do coro entorpecido cantado em sânscrito, o rufar surdo e cadenciado da britanga e a melodia suave do harmônio iam capturando a minha mente, me levando a um estado de relaxamento e contemplação que me fazia esquecer dos desconfortos que me aprisionavam…

Por Bruno Santana

Haust(r)o de pulmões cansados

Eu e ele estávamos morrendo de câncer de pulmão, agarrados aos ponteiros do decadente relógio da vida.

Não pudemos nos contentar com o beijo de conveniência ou com o abraço amarelado. Mergulhamos na alvura dos lençóis de prazeres passados e manchamos tudo com nosso arco-íris mágico.

A mesma carteira de cigarros que eu havia lhe dado vinte e cinco anos atrás, em nosso último encontro. Como as cinzas contidas naquele maço, nosso coração fora assoprado no vento e retornava para dentro de nós como chagas sufocantes. E a convivência culminara num câncer.

Para nós, o câncer em comum seria o fim de qualquer jeito.

A amnésia do desgosto provocara nosso reencontro, quando em uma esquina qualquer não fomos capazes de reconhecer nossos cabelos brancos e pudemos nos amar em um olhar perdido.

Logo, as lembranças vieram tímidas, em um café acompanhado das forcas tragáveis e suspiramos nossa velha paixão.

Haveríamos de nos amar uma vez mais e nunca, pois esta era a sina ofegante a que estávamos condenados.

Amarmos até morrermos, pensei, mas a ejaculação se aproximava. E com ela, falciforme, o ceifamento de todo o ar (e sonhos).

Preferi meus livros como últimos amores.

E ele?

Uma vida dramática

Morsa Dramática, simplesmente dramática:

Morsa Dramática apaixonada:

Morsa Dramática conhece o pai:

Morsa Dramática briga com o pai:

Morsa Dramática mata Bill (o padrasto):

E, afinal, não foi a Morsa Dramática:

Por Rodrigo Lessa

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