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Petiscos, das 13 pessoas do Petcom

(Depois ponho um título)

Saí de casa atrasado. Tomei o ônibus errado (ele ia para o mesmo lugar, mas dava uma volta muuuito maior). E ainda rolou trânsito consgestionado. ResultADO: quando cheguei na Redução de Danos, Marcão já tinha se saído com Rita e Tito. Três figuras. Só não perdi a viagem, porque tinha mesmo que dar uma chegada no Salvador Card e converter os-cinqüenta-conto-que-minha-madrinha-me-deu-de-aniversário em créditos. Na verdade, quarenta e nove. Um real eu troquei por uma capinha pra cartão das Obras da Irmã Dulce. Depois fiquei cogitando se não rolava falcatrua (rapaz, hoje em dia a gente tem é motivo pra andar desconfiado). Deixei quieto. Preferi me fiar na lei invisível. A capinha eu nem vou usar, ela é transparente, a foto fica aparecendo. (Que viadagem…)
Tava ali no Comércio quando o céu desabou. Choviam bááádegas. Tipo, era tanta água que não dava para saber ao certo se ela estava caindo ou se estávamos todos submersos. Se me viram passar em direção ao ponto de ônibus, devem ter pensado que eu atravessara um rio, porque o guarda-chuva só salvou a metade de cima. Não tava nem aí, abraçado com a mochila, os dois fones nos ouvidos, “Girl, you really got me goin’ ”. Aliás, já tinha até tempo que eu não tomava uma banhozinho de chuva.
Deixei passar um Nordeste e subi num Itaigara, via Brotas. Súbito me arrependi. Era melhor ter pegado o Nordeste e andado os seis quarteirões até em casa. Nessa de querer descer no ponto me meti no maior barril: os carros, no Comércio, se moviam qual jabutis de lata. Multicoloridos cascos, cada um esperando o zumbi da frente se arrastar mais quase que nem um metro. Já “antegozava” o que tinha guardado pra mim em Brotas. Ai, ai, ai, ai, ai…
Dois CDs, quatro músicas e um capítulo depois, o ônibus ancorou no ponto – no porto – da CEASA. O trânsito tava tão foda que “o motor” desligou o carro. A bexiga pedindo penico, resolvi que era ali mesmo. Desci, nadei até a CEASA (exagero, mas os pés estavam dentro d’água) e procurei por um banheiro. Pula descrição do banheiro. Diferente deste, o centro de abastecimento até que era bem asseado. Não sei por que imaginava que ali fosse a maior sujeira. Acho que rolava uma fama, sei lá. Também, não fui “na feira” mesmo, circulei só por uma área onde vendiam mel (nham!), melaço (nham!), beijus (nham!), castanhas (nham!), biscoitos caseiros (NHAM! Vééíii, você é um sem vergonha! E fica tirando a maior onda de natureba… Tsc, tsc…), “coisas da fazenda”, acho. Nada baratos (tinha pacote de biscoito que só saía por 6 conto, veja bem! Quando dou de cara com esses preços, acho logo que tão querendo explorar, daí fico injuriado, velho! Mas tem quem compre! Tese: o valor do dinheiro na cabeça do rico é diferente do valor do dinheiro na cabeça do pobre; 100 reais pro rico é uma coisa, 100 pila pra um pobre, lenhado, é outra.) Tratei de ralar dali.
Naquela hora, quando o motorista desligou o motor do ônibus, porque se deu conta de que não fazia a menor idéia de quando ia voltar a pisar no acelerador, na minha cabeça acendeu uma idéia: desço, tiro a água do joelho e me carrego eu mesmo para casa. E foi o que fiz.
O trajeto: CEASA, Hospital Aliança, Parque da Cidade, Itaigara, Parque Júlio César, home sweet (and dry) home.

To be continued…

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