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Petiscos, das 13 pessoas do PetcomArquivo para Outubro, 2008
Quatro Semanas de Amor
Estou voltando às raízes do meu gosto que havia sido recalcado já há algum tempo. O movimento de retorno começou quando eu resolvi assumir os quadrinhos – era um tabu para mim mesmo admitir a atribuição sentimental que eu dava a essa arte. Depois veio o samba popular, o axé, as narrativas românticas melosas e o videogame. Recentemente, foi a vez de apreciar novamente as telenovelas. E foi assistindo a cenas de Senhora do Destino que me lembrei do hit “Quatro semanas de amor” de Luan e Vanessa. Sabe-se lá que conexão que ocorreu entre uma coisa e outra, mas uma epifania dessas não se joga fora.
“Quatro semanas de amor” foi gravado por Luan e Vanessa no melhor estilo romântico menudo. Foi regravada posteriormente por Lairton, As Marcianas e Pedro e Thiago, entre outros, devido ao tamanho sucesso da música. Foi inspirado pela música que escrevi um conto do mesmo quilate que ela e que deixei sem nomear. Vejam o vídeo, leiam o conto e sintam, que não há coração que resista a esse sentimento.
Amor,
Nesses quatro anos de relacionamento que fazemos hoje, estou muito triste de não estar perto do seu coração. Pense em mim, ainda assim, porque meu dia hoje é todo seu. O trabalho está apertado, as pessoas não querem mais comprar as roupas que costuro, mas isso é outra coisa. Essa carta é para falar de nós… para falar do… Amor! Essa coisa bonita que nos une.
Quatro anos juntos, culpa daquelas sublimes quatro semanas de amor. Quem diria que você me tiraria do marasmo naquele verão passado na praia de Cabuçu? Tinha te observado dias antes de comermos aquele churrasquinho de gato na praça da cidade… Foi quando provei do teu pagode e me dei conta de que tinha te encontrado, amor.
Primeira vez que te vi, o céu estava estrelado, era noite, e seus cabelos eram como caudas de cometa nos quais peguei uma carona. Aterrisei, como alienígena, no planeta da Paixão. Não podia deixar de explorar o relevo das novas emoções, e você foi o trator que aplainou as crateras do solo, fez a estrada que me levou ao seu coração.
Nunca comi um churrasquinho de gato tão bom quanto aquele.
Na verdade, durante as quatro semanas, tudo foi mais saboroso. Não que ainda não seja, meu amor!, mas foi ali que surgiu o encanto… E as semanas foram passando, como a areia que sedimenta e forma a praia. Nosso amor foi crescendo, crescendo, se tornando, como dizia o personagem de nossa novela favorita, “felomenal”.
Na quarta semana, não pude me conter. Como jaca que tem de cair ao chão para completar sua existência, caí na real de que um amor desses não acontece duas vezes. Você transformava minha vida em azul bebê e eu sonhava em ter uma família contigo. Quanto te vi, então, veio num rompante: “Quero você, meu amor, porque você é a parte de mim que me falta. Minha costela andarilha que desejo reintegrar a mim. Quando nos olhamos… Percebe? Sim, está tudo no olhar, eu não sei parar de te olhar. Case comigo!”
E os beijos tiraram todo o nosso ar. Como ainda tiram, minha amada. Estarei retornando amanhã a noite, para que nos esbanjemos na pureza do nosso Amor. Só eu e você…
Beijos de saudades do seu mel de abelha.
P.S.: PARABÉÉÉNS PARA NÓS, IUPI!!!
P.P.S: Não esquece aquela calcinha preta com lantejoulas brilhantes amanhã.
Quem não tem cão…
Pelo visto Woody Allen está causando com seu novo filme “Vicky Cristina Barcelona”. Enquanto não o vejo, mato a saudade do tio Woody relembrando o lindinho “Todos Dizem Eu Te Amo” (Everyone Says I Love You, 1996).
Para quem ainda não viu, fica aí a dica da sequência mais fantástica do filme. CoisalindadeDeus!
Por: Carolina Guimarães
Filosofia pra capitalista ler.
Hoje pela manhã passei por aquela lenta fila rápida de caixa do Bompreço. Lá, como todo mundo sabe, tem um bocado de artigo (in) útil para tentar o espírito consumista da gente. Depois de ler todas as manchetes das revistas de fofoca, que infelizmente ficam lacradas, tive a infeliz idéia da pegar a Veja para folhear. Tentando me poupar de maiores angústias, fui direto às páginas amarelas, afinal, a entrevista é a parte daquela revista que tem maiores chances de ser interessante não é mesmo? Não. Ou melhor, até que é, mas não a esta altura.
O fato é que encontrei por lá uma entrevista com o Filósofo Luc Ferry, falando sobre a ascendência da família, do amor sublime entre os seres humanos e da honestidade do espírito capitalista – “que beleza, porque não li isso antes de comprar o livro de auto ajuda, digo, filosofia dele? 40 paus, cacete!”. É fato, comprei, li todo, pois sou perseverante, aconselho a quem duvidar destas medíocres opiniões que sente numa livraria e leia as últimas páginas de “Aprender a viver”, lá, Ferry expõe sua tese sobre o mundo e a filosofia, e ah, ele mesmo deixa a dica: melhor mesmo é ler Spinosa. No mais ficam as perguntas, será que a França fica noutro planeta? em que tempo ele vive? ou ainda, a quem ele quer enganar?
eu eim….
por Cíntia G.
Oficina de diagramação – Só para Calouros 2008.2
Fotos tiradas durante a oficina de diagramação – Só para Calouros 2008.2 – oferecida pelos bolsistas Petcom, nos dias 16 e 18 de Outubro, na Faculdade de Comunicação da UFBA.
O mini-curso tem como função fornecer aos estudantes noções básicas de diagramação/editoração eletrônica, utilizando os programas Adobe Photoshop e CorelDRAW.
Veja as fotos abaixo:
Sábado, 18 de Outubro.
O bolsista Petcom, Rodrigo Lessa, inicia a aula de Corel DRAW.
Cartazes produzidos na oficina:
Cordel do Fogo Encantado – Roberta Rodamilans
Os Mizeravão – Joseane Rosa
Luau do Além – Leonardo Pastor
Festa No Sense – Alex Santos
Bafafá – Fernanda Soares
Michael Jackson – Hanna Nolasco
Oficina de Diagramação Só para calouros – CorelDRAW
Salvem a foto abaixo, para o exercício de vetorização em CorelDRAW.
Usem o texto abaixo para trabalhar no CorelDRAW.
Eu não votei em Leo Kret! (por Cadu Oliveira, do blog Gelebete)
Leo Kret do Brasil teria conquistado 12862 votos se, em vez de votar em Lindinete Pereira, eu tivesse sido co-responsável pela sua eleição. Essa culpa eu não levei ao travesseiro. A dançarina do Saiddy Bamba entra pra história como o primeiro transgênero a se tornar vereador em Salvador. O quarto candidato mais votado, é bom frisar. Ponto pra ela, pros transgêneros e não-transgêneros que a elegeram na esperança de serem representados, e viva a democracia. Mas antes que eu jogue uma pá de cal na euforia dos leokretinos e seja etiquetado de homofóbico (ah, esse adjetivo!), quero explicar por que acho a eleição de Leo Kret um sintoma preocupante e um risco provável.
Primeiro que Leo Kret está mais para Sara Verônica (eterna Boquinha da Garrafa) que para Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, também candidatos a vereador em Salvador, sem sucesso (nem tudo está perdido). Todo e qualquer voto é um tiro no escuro, mas votar num candidato como se se escolhesse um big brother é sintomático da ambigüidade da nossa democracia. Discordem o quanto quiserem, mas Leo Kret deve muito mais aos votos de protesto (aliás, aos votos de esculhambação) que ao envolvimento político do seu eleitorado. E nisso não há diferença nenhuma entre Leo Kret e a infeliz maioria dos vereadores (re)eleitos em Salvador, salvo a sua excentricidade.
Excentricidade que reside não no fato de Leo Kret passar milhas longe tanto do padrão macho-paternalista quanto do estilo mulher-guerreira, mas pela razão de que se pode, sim, entrar na vida política num abrir e fechar de urnas apenas porque se é famoso, polêmico e objeto de fetichismo. Daí que não faria diferença alguma se, em vez de Leo, Bagagerie Spielberg e Latino fossem eleitos apenas porque são, respectivamente, transformista e sex symbol. Como legisladores, o mais provável é que fossem ótimos (?) artistas.
Militantes gays vão alegar que o simples fato de termos uma vereadora que foge ao padrão heteronormativo já é uma vitória pro movimento GLBT e uma lição pra sociedade. Isso vai depender do bom desempenho de Leo Kret fora dos palcos. Caso contrário, teremos apenas trocado eles por elas e incorrido novamente no equívoco de achar que identidade (de gênero, etnia…) e competência política são uma coisa só. E daí o mesmo movimento vai acusá-la de traição às bandeiras e de ter desperdiçado uma oportunidade de colocar representantes da população GLBT no poder. Olha a responsa, Leo!
Quando assisti à propaganda de Leo Kret na tevê, depois de fingir não ter ouvido a candidata gemer depois de um discurso todo rimado, me perguntei: Por que não? Mas por que sim? Por que ainda precisamos eleger um candidato não-heterossexual pra que a comunidade GLBT possa obter dos poderes públicos o que lhe é de direito? Se Leo Kret se elegesse, teríamos uma bancada pró-GLBT na Câmara Municipal formada por um político apenas? As bandeiras de candidatos travestis, homossexuais, bissexuais e transgêneros têm que ter cores necessariamente diferentes das demais? Gay tem que votar em gay? Todo indivíduo pertencente a uma minoria social tem espírito público? Um turbilhão de questionamentos, interrompido apenas pela lembrança do gemido inacreditável. O grunhido de Leo Kret é o equivalente transgênero do “au” de Frank Aguiar, deputado federal petebista por São Paulo, na sua propaganda em 2006?
Desejo aos eleitores de Leo Kret e a todos os soteropolitanos diretamente atingidos, positiva ou negativamente, por essa eleição que tanto a vereadora transgênero quanto os vereadores mais ou menos ortodoxos não nos envergonhem pelos próximos quatro anos. Ou então é rezar pra que a tragédia toda se resuma a sapateado em hora imprópria e a abelhinha de estimação zunindo dentro do ouvido…














