Andei refletindo sobre pessoas que cantam juntas, uma do ladinho da outra. Depois de ver algumas performances percebi que não é tão fácil assim. É alguma coisa de presença dos cantores, sem apequenar nenhum. É encontro na música, num único espaço – tempo, contrariando completamente aquilo de que “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, é cantar junto.
Alguns pecam por excesso:
Música linda, cantores belos. Porém cada um parece cantar sua música, do seu jeito, sem perder ou ganhar nada com o outro.
Com a Björk e o Antony em Dull Flame of Desire não é a singularidade de suas vozes que impede a unidade na música, eles até chegam bem perto na versão em estúdio, mas ao vivo não conseguem se achar na intensidade em que são cantados os versos de Fyodor Tyutchev. E o jeito ensimesmado de ambos aumenta a sensação de que nenhum dos dois está realmente curtindo cantar um com o outro.
Agora um belo exemplo de como é cantar junto. Ela é quase esquizofrênica, não gosta ser entrevistada e só canta com ele. As vozes são muito diferentes, ela canta baixinho e é cheia de sutileza, ele tem sua beleza no impulso que dá à música. Mas em algum ponto no tempo da música Lisa Hannigan e Damien Rice se encontram, perdem e ganham, estão inteiramente presentes.
Por Jéssica Passos
sobre damien e lisa, há uma perfomance que supera todas que já vi. eles se fundem de um jeito bonito demais. tá aí o vídeo:
http://youtube.com/watch?v=7tlI3VR0VfE