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Petiscos, das 13 pessoas do PetcomArquivo para Maio, 2008
Love is not love…
Jane Austen, Shakespeare, muita chuva e alguns corações partidos. O resultado? Uma das cenas mais lindas do cinema.
Razão e Sensibilidade (Ang Lee, 1995)
Por: Carolina Guimarães
É mais juntos do que junto
Andei refletindo sobre pessoas que cantam juntas, uma do ladinho da outra. Depois de ver algumas performances percebi que não é tão fácil assim. É alguma coisa de presença dos cantores, sem apequenar nenhum. É encontro na música, num único espaço – tempo, contrariando completamente aquilo de que “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, é cantar junto.
Alguns pecam por excesso:
Música linda, cantores belos. Porém cada um parece cantar sua música, do seu jeito, sem perder ou ganhar nada com o outro.
Com a Björk e o Antony em Dull Flame of Desire não é a singularidade de suas vozes que impede a unidade na música, eles até chegam bem perto na versão em estúdio, mas ao vivo não conseguem se achar na intensidade em que são cantados os versos de Fyodor Tyutchev. E o jeito ensimesmado de ambos aumenta a sensação de que nenhum dos dois está realmente curtindo cantar um com o outro.
Agora um belo exemplo de como é cantar junto. Ela é quase esquizofrênica, não gosta ser entrevistada e só canta com ele. As vozes são muito diferentes, ela canta baixinho e é cheia de sutileza, ele tem sua beleza no impulso que dá à música. Mas em algum ponto no tempo da música Lisa Hannigan e Damien Rice se encontram, perdem e ganham, estão inteiramente presentes.
Por Jéssica Passos
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Quadro de Tamara de Lempicka
Encontrei-me com Pubis Angelical em janeiro de 2008, 29 anos depois de sua primeira publicação, na Argentina. A união entre leitor e obra se deu numa livraria de livros esotéricos e espíritas de Feira de Santana, mediante R$3,90. A capa e a edição eram simples – o livro faz parte da coleção consagrados livros lançados em meados dos anos 80 pela Rocco – mas algo no quadro de Tamara de Lempicka me atraiu. Olhei a contracapa onde a sinopse me atentou para a temática interessante: “O tema básico deste romance revela uma atualidade a que dificilmente ninguém estará em condições de escapar: até que ponto um indivíduo é senhor de seu comportamento e não títere de sua formação familiar e cultural?”. Fui convencido aí, e por isso levei o livro de Manuel Puig para casa.
A sinopse prometia ainda uma história recheada de elementos femininos – todas as personagens principais são mulheres que são cuidadas para serem objetos sexuais – mas eu não podia imaginar até onde se chegariam esses tais elementos. Surpreendeu-me quando comecei a ler o livro e percebi que se trata de um realismo fantástico feminista, misturado com ficção científica, emendado a tramas políticas que envolvem a política argentina de fins dos anos 70, marcado por uma estética gay.
A trama se desenvolve em três diferentes locais, situados em diferentes tempos – e, ao que parece, em diferentes realidades. Acompanhamos Anita, mulher argentina está internada em um hospital mexicano se lutando contra um câncer e que se lamenta por esperar que um homem ideal venha lhe fazer dos homens que a feriram e lhe dar toda a felicidae que deseja encontrar; conhecemos a Senhora, uma ex-atriz de sucesso que mora com um homem que a aprisiona numa ilha, para dominá-la, mas não consegue contê-la quando ela descobre que possui um estranho dom que a joga em um conflito internacional; e por fim, a trágica W218 se apresenta como uma ciborgue que mora numa Terra pós derretimento das calotas polares, trabalhando para o governo como agente sexual, transando com velhos e doentes em uma sociedade machista.
Dentro dessa salada de cenários e personagens, uma salada de estilos de se escrever: o autor se utiliza de recursos como cartas, diários, diálogos extensos, descrições densas e às vezes dinâmicas, narrativa paralela, dentre outras experimentações e referências populares que levam Manuel Puig a ser adjetivado por alguns críticos como escritor de literatura pop art – movimento que não existe na literatura. Apesar da criatividade, a história de Anita é um tanto óbvia, ela tem reflexões sobre sua sexualidade que são muito esclarecidas e ainda assim o autor insiste que ela espera um “homem superior” e briga com sua amiga feminista, que lhe apresenta idéias com as quais concorda. Mesmo sendo a mais forçada das histórias, ainda assim possui uma lógica em sua construção.
No entanto, melhores momentos estão nas tristes histórias da Senhora e W218. Elas duas aparecem de forma equivalente, inclusive: sabem se defender melhor que Anita, mas também sofrem mais ataques por conta de possuirem o inexplicável dom de ler mentes, o que deixa governos às suas procuras, para dissecá-las, estudá-las e passar seus poderes para os homens – e apenas aos homens!
Em 1985 o livro foi adaptado ao cinema, por Raúl de la Torre. Também é homenageado na música homônima de Charly Garcia, grande músico argentino.
É importante que seja lido por qualquer pessoa que queira pensar sobre seu estar no mundo e as obrigações sociais que muitas vezes sufocam. E também pelos que admiram uma mistura de percepções guiadas por apenas um homem, que é o mesmo mestre que escreveu o famoso :”O beijo da Mulher-Aranha”.
O Tempo da Vida
Menino desatento,
joga tua garrafa no mar
com propostas de amor
e quem sabe algum dia
alguém te ajude a carregar
o peso de existir.
Menino desatento,
plante tua semente,
mesmo se a seca ainda não te deixou.
e quem sabe algum dia,
perdido na mata,
encontre o fruto que outrora plantou.
Menino desatento,
ouve as palavras de sabedoria:
a vida é um momento para além do agora.
Postado por Samuel Barros
I Will Possess Your Heart!
Narrow Stairs
Sétimo álbum da banda.
Site oficial – Death cab For Cutie
Por: Marcel Ayres
