Em 1996 o renomado físico marxista estadunidense Alan Sokal escreveu para a Social Text, famosa revista acadêmica alinhada com os Estudos Culturais (ou o que quer que se chame de Estudos Culturais numa perspectiva dos Estados Unidos) um texto criticando os “cânones da matemática burguesa” e apresentando a teoria da relatividade de Einstein como uma teoria libertária, na qual a própria idéia (clássica na física) de “constante” é derrubada.
O texto, com 41 páginas (só 12 de texto, o resto de notas e referências bibliográficas) foi submetido à avaliação dos editores da revista e, por fim, publicado. O problema começou quando Socal publicou, na revista Lingua Franca um pós-escrito que dizia ser seu texto anterior um amontoado de bobagens sem sentido, mas com referências bibliográficas reais. Sokal, dizendo-se preocupado com os rumos pós-modernos que parte da esquerda norte-americana estava tomando, com o relativismo que se espalha(va) pelo pensamento acadêmico, escreveu no seu pós-escrito que chegou a apelar para a autoridade ao invés da lógica e confundir propositalmente termos conceituais com seus usos vulgares na língua inglesa. A Social Text publicou um texto afirmando que não era pelo fato de Sokal não concordar com o seu próprio texto que ele perdia a sua validade.
A questão é que a crítica de Sokal foi, ela mesma, demasiado pós-moderna. Afinal, ao invés de uma crítica pela lógica e pela retórica, ele optou por uma crítica pela estética e pelo estilo. Sokal não argumenta contra a pós-modernidade, mas ao contrário, pós-modernamente a parodia. Já a Social Text, esta parece demasiado sem graça e moderna, como um acadêmico senil, ao publicar um texto apelando para a lógica e a ética ao responder a Sokal.
Por: João Araújo
Deixa eu te contar: adoro bafão acadêmico. Risos, risos.